O auditório do AquaRio foi palco de uma iniciativa inédita: o lançamento do projeto “Tubarões e Raias Cariocas”. A ação pretende unir mergulhadores, pescadores, caçadores submarinos, banhistas e esportistas no monitoramento dessas espécies ao longo da costa do Rio de Janeiro.
A proposta é simples, mas poderosa: criar um banco de dados colaborativo e de acesso público com informações enviadas pela própria população. Para participar, basta registrar fotos ou vídeos dos encontros com esses animais e encaminhá-los pelo formulário online.

Como funciona o monitoramento?
As imagens enviadas — especialmente aquelas que mostram o corpo, o ventre ou a cabeça do animal — permitem identificar espécie, sexo e estágio de desenvolvimento. Assim, pesquisadores poderão compreender melhor onde e como os tubarões, raias e quimeras utilizam os ambientes costeiros do Rio.
Essas informações são essenciais para ações de conservação, já que esses predadores exercem um papel fundamental no equilíbrio dos oceanos. Eles ajudam a manter as teias alimentares, sustentam atividades como pesca e turismo e garantem a segurança alimentar de comunidades que dependem de ecossistemas saudáveis.
Por que proteger é urgente?
Mesmo com toda essa importância, 37% das espécies avaliadas estão ameaçadas de extinção, resultado de décadas de pesca excessiva e degradação ambiental.
Em 2025, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) reconheceu a costa metropolitana do Rio como Área Importante para Tubarões e Raias (ISRA). Esse reconhecimento reforça a relevância da região, que abriga uma grande diversidade de espécies e ainda conta com a Baía de Guanabara como berçário natural — lar de animais como a raia-borboleta (Gymnura altavela).
Uma parceria pela conservação

O “Tubarões e Raias Cariocas” é uma realização conjunta do Instituto Museu Aquário Marinho do Rio de Janeiro (IMAM-AquaRio), do Laboratório de Biologia e Tecnologia Pesqueira (BioTecPesca), do Instituto de Biologia da UFRJ e da Euceano.org.
Com a ajuda da ciência e da sociedade, o projeto pretende unir conhecimento, tecnologia e participação popular para proteger espécies fundamentais para a saúde dos oceanos.